O CARNAVAL DO LULA

O operário de fantasia e o Brasil real


Enquanto a Acadêmicos de Niterói promete cantar “Lula, o operário do Brasil” em um enredo épico, o Brasil real segue esmagado por impostos, inflação, insegurança e desemprego disfarçado.

O “operário” exaltado na Sapucaí não é o trabalhador que acorda às 5 da manhã em Curitiba, São Paulo ou Joinville para pegar ônibus lotado e bater ponto em fábrica, oficina ou mercado; é um mito cuidadosamente fabricado pelo marketing político e pelo sistema cultural para justificar um projeto de poder que já destruiu a economia, a moral pública e a confiança nas instituições.

No enredo, a trajetória é contada pela bisavó, como se o país inteiro fosse obrigado a sentar na sala e ouvir, em rede nacional, um conto de fadas familiar patrocinado pelos cofres públicos.  E PIOR NOS CONHECEMOS A VERDADE HISTÓRIA DELE...


Para o povo trabalhador, que vê parte do seu salário desaparecer em impostos para Brasília, essa apoteose carnavalesca soa como ironia: enquanto ele luta para pagar aluguel, luz e mercado, o governo financia o palco onde seu próprio algoz é transformado em herói operário.  


Dinheiro público, mito de líder e corrupção da cultura


A chave do problema não está apenas no samba-enredo, mas no dinheiro que o sustenta.  

A Embratur e o Ministério da Cultura assinaram um pacote de R$ 12 milhões com a Liesa, repassando R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial sob a justificativa de “promover o turismo brasileiro”.

No papel, é política pública para fortalecer o Carnaval; na prática, quando uma dessas escolas resolve homenagear justamente o presidente em exercício, com tom messiânico e laudatório, o recurso público se converte em propaganda de regime com verniz cultural.


Gosto de lembrar que Olavo de Carvalho sempre denunciou a captura da cultura por projetos revolucionários que atuam por meio da arte, do entretenimento e da educação.  

Aqui vemos o manual aplicado: o Estado financia, o aparelho cultural executa, a mídia “explica” e o povo é convidado a aplaudir.  

Quem ousa questionar é rotulado de inimigo da arte, “moralista”, “reacionário” ou, pior, inimigo do próprio povo.  


Carnaval como instrumento de engenharia social


Carnaval sempre foi festa popular, caos controlado, momento de inversão simbólica, o pobre se fantasiava de rei, o anônimo virava personagem.  

O que o petismo faz é capturar essa energia simbólica e redirecioná-la à mitificação do chefe político.  

A Sapucaí deixa de ser apenas um palco de fantasia e se transforma em altar civil onde Lula é canonizado como santo laico do “Brasil operário”.


Esse uso da festa como mecanismo de engenharia social é típico de regimes que precisam de culto à personalidade para se manter.  

Não é coincidência que, no mesmo ensaio em que se exalta Lula, apareçam provocações abertas contra Jair Bolsonaro, criando uma narrativa maniqueísta: de um lado, o “pai dos pobres” celebrado com dinheiro público; de outro, o inimigo caricaturado, vaiado e ridicularizado.

A mensagem subliminar é clara: o Estado paga para ensinar ao povo quem deve ser amado e quem deve ser odiado.  


O TCU, a “cautelar” e o pudor institucional


A reação do Tribunal de Contas da União revela que ainda existe, dentro da máquina estatal, um resquício de pudor institucional.  

A área técnica acendeu o alerta e recomendou barrar o repasse de R$ 1 milhão para a escola, justamente por enxergar risco de uso eleitoral e desvio de finalidade na verba da Embratur.

Em seguida, veio a decisão cautelar suspendendo o repasse específico à Acadêmicos de Niterói, deixando claro que, ao menos por ora, esse dinheiro não pode ser pago enquanto o caso não for julgado em definitivo.


Note-se o contraste:  

- A “intelectualidade” militante defende o enredo em nome da “liberdade artística”.

- O órgão de controle, pressionado pela realidade jurídica e pelo clamor de uma parte da sociedade, precisa lembrar o óbvio: dinheiro público não é cofre de partido, nem caixa eletrônico de culto à personalidade.  


Para o conservador que ainda acredita em responsabilidade fiscal e moralidade administrativa, essa cautelar do TCU é o mínimo.  

Ela não resolve o problema estrutural da captura cultural, mas expõe o escândalo: foi preciso um tribunal, e não o bom senso dos governantes, para dizer “isso passou do limite”.  


O povo trabalhador e a farsa do “povo”


É aqui que entra o olhar do povo trabalhador, conservador, que olha tudo isso com uma mistura de indignação e cansaço.  

Ele sabe o que é trabalho de verdade; sabe o que é ser demitido numa crise criada por políticas econômicas irresponsáveis, sabe o que é ver o negócio da família morrer asfixiado por impostos e burocracia.  

Quando ouve falar em “Lula, o operário do Brasil”, financiado com dinheiro de Brasília, ele entende que está diante de uma farsa cuidadosamente encenada.  


Esse brasileiro não é anti-cultura, nem inimigo da alegria.  

Ele gosta de festa, de futebol, de churrasco, de Carnaval se quiser.  

O que ele rejeita é ser obrigado a bancar com seu suor uma liturgia política que transforma um homem, com histórico de corrupção, aparelhamento estatal e destruição de valores, em símbolo máximo do próprio povo.  

Enquanto o samba ecoa na Sapucaí, o recado para o paranaense é cruel: você trabalha, eles reinam.  


Conservadorismo, Olavo e a necessidade de reação


A ótica olavista enxerga, nesse episódio, não um detalhe carnavalesco, mas um capítulo a mais na guerra cultural.  

Aqui se cruzam:  

- A verba estatal usada como ferramenta ideológica.  

- A indústria do entretenimento submetida ao projeto revolucionário.  

- A criação de mitos políticos que ocupam o lugar de heróis verdadeiros, santos, patriotas e trabalhadores reais.  


Para a direita conservadora, especialmente a que vem do chão de fábrica, do comércio, do campo e das pequenas cidades do Paraná e de todo o Brasil, a resposta não pode ser apenas reclamação em rede social.  

É preciso disputar a narrativa, denunciar a farsa e construir uma cultura alternativa que não dependa de esmola estatal nem de aprovação da máquina.  

Enquanto o Estado financiar sambas para coroar “o líder”, o conservador precisa dar voz ao trabalhador anônimo que sustenta o país, sem fantasia, sem telão, sem Marquês de Sapucaí, mas com a dignidade de quem não aceita ser figurante no próprio país.


Valdecir Bittencourt 





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